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Do Caderno da Yana

Um banco, uma manta, meia hora

· por Yana

Um banco de madeira no jardim, com uma manta dobrada no encosto, um lampião aceso e uma pilha de livros.

Eu adiei descanso a vida inteira esperando o descanso grande: as férias, a viagem, o dia em que tudo estivesse resolvido. O dia em que tudo estiver resolvido não vem, e eu suspeito que você também já desconfia disso.

O que existe é meia hora. Quase sempre existe meia hora.

Descansar é decidir que meia hora basta

Uma manta pesada nos ombros muda mais coisa do que parece. O corpo entende antes da cabeça: se está agasalhado, sentado e sem pressa, ele afrouxa. A cabeça vem atrás, reclamando um pouco no começo.

Meia hora não resolve o cansaço acumulado de anos. Mas interrompe o que estava acumulando.

Deixe o banco pronto. A manta dobrada no encosto, o livro por perto. Metade da pausa é não ter que preparar nada quando a vontade aparece.