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Do Caderno da Yana

Sobre não ir a lugar nenhum

· por Yana

Um banquinho de madeira com uma manta de franjas, sobre um caminho de pedras no jardim.

Fui criada com a ideia de que tempo parado é tempo perdido. Quem estava sentado devia estar fazendo. Quem estava olhando pela janela devia estar cansado, doente ou triste.

Demorei para entender que existe uma terceira possibilidade: a pessoa está simplesmente ali.

A cabeça precisa de espaço vazio

Quase toda ideia boa que eu tive chegou em hora imprestável — no banho, na fila, no caminho de casa sem pressa. Nenhuma delas chegou enquanto eu estava tentando ter ideias.

O ócio parece com o nada, mas não é. É o intervalo em que as coisas que você leu, ouviu e viveu se arrumam sozinhas.

Então: um banquinho no meio do caminho, uma manta, e nenhum destino. Talvez volte com uma ideia. Talvez não volte com nada, e esteja tudo bem também.