O que a manhã pede
· por Yana

Durante muito tempo eu acordei já devendo alguma coisa. A lista existia antes de mim: antes do café, antes da luz entrar pela janela, antes de eu lembrar quem eu era naquele dia.
Um dia, por preguiça mesmo, não peguei o celular. Fiquei com a xícara nas duas mãos até ela esfriar. Não aconteceu nada de especial — e foi exatamente esse o ponto.
A primeira hora não é para resolver
Hoje eu trato a manhã como quem recebe uma visita querida. Ninguém recebe visita com a agenda aberta e o olho no relógio. Recebe com o que tem de melhor, que quase sempre é atenção.
Uma xícara, sem tela.
A janela aberta, mesmo no frio.
Uma página de qualquer livro, mesmo sem entender direito.
Não é um método, e eu desconfio de quem transforma isso em método. É só um jeito de dizer a mim mesma que o dia começa comigo dentro dele.