Carta sobre o tempo
· por Yana
Tirei o relógio da parede da cozinha em janeiro. Não foi decisão filosófica: ele quebrou e eu adiei a troca.
Na primeira semana, olhei para o prego vazio umas quarenta vezes por dia. Na terceira, parei de olhar. Na quinta, percebi que estava cozinhando pelo cheiro em vez de pelo cronômetro.
O relógio continua quebrado. A gaveta onde ele está também tem meu antigo senso de urgência.